
Essa nossa historia começou há quase dois anos. Nos conhecemos quando eu queria conhecer todos os homens do mundo. E o melhor lugar para isso é na internet. Ele me procurou, marcamos um encontro e ele foi direto. Não parou para chopes e conversas fiadas. Transamos. Ele me deixou em casa e não fez nenhuma promessa. Nem ligou no dia seguinte. Nem no outro. Quando já tinha esquecido desse evento, ele apareceu no msn. Foi direto, queria transar de novo. E se eu fosse uma mulher normal, daria uns bons foras nele e o desconectaria da minha lista de contatos. Mas não hesitei e confirmei o encontro e transamos melhor ainda que da outra vez. No começo fiquei tímida, comecei a pensar, olhava aquele cara mais novo que eu, musculoso, interessante e que eu sabia muito pouco sobre ele. Tive o impulso de não me sentir culpada e querer saber tudo sobre sua vida, para justificar aquele sexo tão sem compromisso. Mas não dava tempo. Um sexo ardente e depois tchau. Não se sabe se haverá um próximo encontro, muito menos quando. Nessas horas, que eu poderia espernear com o romantismo embaixo do braço, sucumbo ao mistério de ter um homem quase invisível.
Já saímos todas as semanas, demoramos meses, ficamos cinco dias seguidos... não tem regras, nem muito assunto, nem explicação, muito menos cobranças. Ele já disse que era meu namorado e impôs uma fidelidade que jamais teríamos. Temos nossas historias, vidas, romances, como todas as pessoas comuns têm. Mas nos esbarramos de vez enquando. Quando ta chovendo, quando ta calor, quando ta de lua cheia... sei lá... isso não importa. É sem culpas, sem traumas.
Ele tem dez anos a menos que eu. Sei que tem um bom emprego, um bom carro, o mesmo time que eu, é aquário e adora malhar. Saber o bairro em que mora e a foto da namorada me fez ganhar intimidade. Seus pelos claros e sua cabeleira se perdendo de uma cabeça bem desenhada, me faz ama-lo infinitamente em todos os momentos que estamos juntos. Mas quando ele vai embora, não lembro mais seu nome.
Nunca nos ligamos, mas temos nossos números. Nunca nos declaramos, porque não precisa. Mas ele gosta de mim, me olha no fundo dos olhos, me faz sua mulher e me sinto plena nos seus braços. Por alguns minutos, parece que estou com o homem da minha vida. Eu sou uma mulher que tem o homem da vida dela em uns minutos e depois esquece dele como se fosse fugaz. Uma paixão sem nomeclaturas.
E será que a paixão é um sentimento constante e rotineiro? Suponho que o nosso encontro proporcione mais paixão do que a maioria dos casais convencionais. Não precisamos de nomeclaturas
O mais interessante é a indumentária que envolve as necessidades. Quando termino com um namorado, quando estou em crise, quando estou subindo nas paredes de abstinência sexual, ele surge no msn e vai direto ao ponto, como uma injeção de adrenalina. Depois de um sexo selvagem no banco de trás do carro, numa bucólica rua do meu bairro, nos despedimos e voltamos aos nossos afazeres, com o rosto mais saudável e o suspiro de alívio de não se preocupar em saber o que é isso.
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