quinta-feira, 6 de novembro de 2008

como papel de pão


Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito... já dizia o nobre amigo Milton nascimento. E o nome “amigo” ficou tão lugar comum quanto a palavra “amor”. Talvez por serem muito próximos e semelhantes, esses sentimentos se perdem na vulgaridade do cotidiano e todo mundo é amigo de infância, mesmo tendo conhecido o “irmão” há poucos minutos.
Assim como o amor, a amizade não precisa necessariamente de anos para se instalar e ser verdadeira, mas com certeza, de um tempinho para se conhecer e fortalecer o próprio sentimento.
Todo mundo é amigo de botequim, que ri, que chora, que joga conversa fora no meio de chopes e batata frita. É amigo quando fala da novela e das maldades da antagonista. É amigo para falar a “última” sobre fulano, é amigo para acompanhar ao show de um grupo famoso, é amigo para encontrar na rua e trocar dois ou três beijinhos no rosto e propor um improvável novo encontro.
Mas e quando a gente fica sem dinheiro? Quando amigos estão do teu lado, não necessariamente para te dar uma grana, mas para te dar uma força e uma idéia de como sair do sufoco? Quantos amigos estão do teu lado quando paira no coração aquela dor de cotovelo de tirar o fôlego e parar o ar? Quantos amigos aturam a sua bebedeira insuportável e ainda fazem aquele chazinho de consolo?
Quais dos seus amigos te defendem mesmo quando você está errado? Quais deles te ligam para te desejar um bom dia e saber se depois de ontem você está bem?
Quantos amigos sabem que quando você está de mal humor com o mundo e doido para ficar sozinho, o que precisa mesmo é de um bom colo e um olhar de “eu estou do teu lado”?
Amigo se reconhece, olhos nos olhos ou mesmo “palavras por palavras” em tempos modernos de internet. A gente se assemelha, mesmo sendo totalmente diferente. Amigo a gente sente pelo cheiro. Mesmo quando é tão egoísta, mesmo quando é tão triste, mesmo quando é tão complexo.
Tem amigo que cola que nem bottom no coração. Amigo de verdade já vem tatuado por dentro.

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