segunda-feira, 6 de abril de 2009

UMA OSTRA NO MEIO DO RIO


Não sou daqui, esse mundo não é meu.

Olhei para os lados e nada reconheci: as cadeiras vermelhas que pareciam frágeis, riscadas pela ferrugem e sujeira; as mesas brancas e também enferrujadas, úmidas de bebidas que derramavam da borda dos copos; as garrafas vazias, os copos com espumas e alguns com marcas de batom; o chão em pedra desalinhada ainda molhada pela chuva que caiu no fim da tarde; risos, gargalhadas, fala alta e quase inaudível; os rostos, nada familiares, me fitam.
Quero pular daqui, mas agora nem sei onde vou cair.
Nada me pertence aqui, nem o ar.
Alguém me fala amenidades e um homem toca meu braço. Ele me conhece?
Olho ao redor e estou perdida. Procuro o útero materno, ou um colo para me recolher.
Um fiapo de medo me atravessa. “E se eu não me encontrar?”
Quero gritar, vou gritar... um homem coloca um copo gelado em minhas mãos. O frio congela minha garganta.
Não sei se agradeço ou jogo o copo no chão.
Alguém me conhece? Porque eu estou aqui?
Vou chorar, melhor chorar.

Flash.

Às vezes caminho em estradas que escolhi e depois não a reconheço como sendo minha. Passo por pessoas diferentes e não entendo porque elas fazem parte de algum momento de minha vida.

Não sei sempre para onde vou e quase sempre não sei porque estou lá.

Um comentário:

Mireide disse...

Me identifiquei muito com essa... sou eu hoje...como não sei para onde vou e nem pq estou lá, amanhã não sei com qual será...rs bjs querida!