terça-feira, 14 de julho de 2009

MEU


Quero o doce da tua boca. O fôlego que acumula em teus pulmões. Quero te beijar e te deixar roxo. Você puxando o meu cabelo, tentando me tirar e me trazendo mais pra perto.
É o jogo.
Você me tem e eu te domino.

AROMA


Eles têm um mundo tão completo... Tão perfeito... Que não há brecha para o olho negro da inveja, para o desatino, para as perversões.
Só o amor.
E a música, que transforma em bruma o assoalho e pinta de rosa qualquer forma de ar que os rodeiam.
Do lado deles, qualquer sentimento parece pequeno demais para se descrever. E eu, me contento em admirar o que a vida pode proporcionar atraves da poeira.

ELES GOSTAM DE DANÇAR


Ela é mais velha que ele e cisma que a idade pesa. “Somos de galáxias diferentes”, ela tenta explicar, mas se cruzam cada vez mais no espaço dessa paixão.
O amor e os encontros, tantos desencontros. Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado. Não basta a diferença de idade, a condição social, a raça, religião, visão política, sexos opostos, sexo de iguais, tudo pode ser uma desculpa para dar muito certo ou muito errado.
Meus amigos são assim: ela é mais velha, lourinha e mantém sua imponente responsabilidade. Ele é mulato, dez anos mais novo e um sorriso de sonhador que contagia. Acumulam entre si outras variações conflituantes, a quem está pronto para apontar incompatibilidade. Afinal, tudo poderia ser muito estranho entre eles. Mas quando eles dançam a gente percebe que vieram do mesmo planeta, porque nada em torno faz o menor sentido, a não ser o amor.
E de que importa os adornos se eles gostam de dançar?
Doce procura em construir uma vida em comum, caminhando pelos destroços do passado, acreditando que tudo pode se ruir...E se não ruir?
As pessoas são assim, cada um em sua gaveta, mas tem uma hora que as gavetas se fundem...
Se um quer os holofotes e o outro a retidão, e daí? Um precisa correr de manha cedo e o outro acordar depois do almoço. Um é romântico convicto e o outro seco como uma rocha. Enquanto um berra, o outro chora. Um quer alcançar o mundo e o outro se contenta com o essencial. Um precisa desabafar o que sente e o outro guardar.
Mas ai descobrem que gostam de comédias.
Um só entende relação se houver aliança, o outro só precisa do amor. Um quer filhos e o outro foge de crianças. Um quer casa no campo e o outro condomínio.
Eles querem terminar a noite com vinho tinto.
Os dois dizem que não ligam para dinheiro, mas isso quase sempre é o mote da separação. Um é carente e o outro foge de excessos.
Os dois são ciumentos.
Um quer saber de tudo e o outro quer esquecer o que aprendeu. Um se sente sufocado e o outro só. Um prova todas as camas e o outro só quer relembrar e chorar.
Quem de nós é igual? Quem é diferente?
Mas meus amigos dançam... Não precisam de desencontros, encontros, dúvidas. Eles não se comparam, não se medem. Esquecem que podem ter contradições, distancias, desencontros, segredos, medos. Tudo no compasso da música, até quando ela se silencia.
Na galáxia que eles vieram o que importa é o beijo e isso eles fazem muito bem.

PARABÉNS...


No meio de pratos imaginários que voam, você me disse que não tenho amigos.
Parei para chegar no meu orkut e lá estavam 424 contra seus 426. Bem, você saiu junto com sua troupe, então estamos tecnicamente empatados! Vá lá, metade são amigos virtuais, pouco conhecidos, mas também estão colegas de faculdade, colégio e até jardim de infância, amigos distantes, de infância, íntimos, familiares e tantas lembranças que ajudam a moldar o que somos.
Ok, minha história está salva!
Assim como a nossa briga, contar amigos pelo orkut é uma tremenda tolice. Somos muito além de páginas na internet e números. Somos pessoas.
Porque estavamos brigando mesmo?
No meio de tantos amigos importantes e nem tanto, virtuais ou não, você era a única pessoa que eu queria passar o dia do meu aniversário. Foi o escolhido, sorteado, ou, como prefiro, reconhecido.
Não gosto de badalações e bajulações nesta data. Acho que é um momento meu, de reflexão e brinde, não cabem multidões esfomeadas. Quero passar sempre com quem, no momento, faz meu coração se acalmar e respirar aliviado. Aprendo que a cada ano preciso de muito pouco para ser feliz.
Eu dei espaço para meu personagem no dia anterior e você estava lá... mas quando a máscara saiu de mim, eu queria os meus.
A gente tá brigando com tantas coisas idiotas... mas não é por causa de um fato em especial, mas do acúmulo de situações mal resolvidas... Inseridas em desculpas, em motivos aparentes. E a gente via se ferindo por tão pouco.
Agora estamos brigando, farpas e acusações para todos os lados, desencontros de informações, coração pequenino e apreensivo...
Onde está meu amigo de todas as horas?
Eu te reencontrei, lembra? Não quero te perder de novo, nessa e em outras vidas. Não há dinheiro que pague, balança que meça, palavras que expliquem o amor de um amigo e que possam agregar algum tipo de valor para qualificar.
Mas as escolhas, como são duras as escolhas.
Mais duros são os impulsos...

sábado, 11 de julho de 2009

SINA


Segue teu destino, arruma tua mala, pega o trem... vai para onde quiser ir, mas que seja agora.
Não posso suportar tua ida, mas preciso dela para ir também para algum lugar.
E a hora de ir, de partir, de suprir a vontade de novos ventos.
Não dá para doer tanto mais que já doi.
Basta, siga em frente, não olhe para os lados, muito menos para trás. Não se desfaça em lágrimas, engula o pranto que eu farei o mesmo.
Não tem meia volta, nem retorno agora. Por hora, tudo o que te peço e prometo é que a ida é definitiva. Não posso te dizer mais nada.
Não consigo. Minhas palavras estão na tua mala. E também o meu sentimento.
Então não abra ela agora, não vá espalhar o que sinto por ai, nem o que está dentro de você.
É assim mesmo.
A despedida doi.

LIMPA COMO UM BREU


Eu coloquei um lenço na cabeça, me apossei do espanador e de outros artefatos de limpeza e decidi arrumar minha vida, tirar o que está demais, colocar o que está de menos e mudar.
É a hora certa, mudança de planos, idade nova, emprego novo, amor renovado, novos amigos.
É o tempo certo, o momento chave, agora ou tarde demais.
Limpando as gavetas da alma para encaixar o que estava sobrando e impedindo a gaveta de fechar.
Preciso jogar os papeis que não servem para nada, os adornos tolos, as lembranças fúteis, as rixas e mágoas que só mancham.
Quanta bagunça... Quanta desistência... Rosas secas, cartões de visita, declarações melosas, criticas construtivas e destrutivas, amargor... Tem um cheiro de saudade quando viro as páginas do livro que ganhei...
Amores perdidos, errados, exaustivamente cutucados...
Amigos que desperdicei com tolices, amigos que perdi por bobagens...amigos que valorizei demais sem merecerem...
A vida é uma bagunça! Sacos de lixos entulhados, prontos para a reciclagem.
Vou começar a colocar a mão na massa e entender meu coração.

SUBLIME




Es meu. Definitivo e concreto. Sem que saiba, sem que ameace fugir. Es meu. Apenas e sublime, contido, silencioso. Tênue, másculo, tímido, fluido.
Es meu sonho, o vento, o mundo que se atropela, o mar, a nuvem que se deforma, o brilho, a bruma, a linha, o rabisco.
O impossível. O homem que me desalinha, que me abala, que descontrola meu comando...

Não es meu... não tenho, não terei, não te domino, não te confronto, não te possuo.
Não terei, não farei, não será.
Porque o mar, o sonho, o vento, o mundo, as nuvens... são de todos, de ninguém, do nada...
Não te tenho, não terei, não será.
Quero te descrever de outra forma além das letras, no além, no nosso mundo, aquele que descobri com você. E assim serás meu. Da única forma que posso ter...
No amor.